Era uma vez um povo que acreditava que a sua igreja, o seu lugar santo de adoração, era a própria natureza, com seus vales e bosques floridos, suas montanhas e cachoeiras. Nesse lugar sagrado não existia história, nada foi escrito, tudo era transmitido oralmente e através da música. A vida desse povo era só cantar, dançar e adorar.
Sua meta última era a alegria, a beleza de cada dia, feita de cores, aromas e som. Lá o amor vivido brilha como o sol, abre-se como uma flor e sorri como uma criança. Quem cantava as histórias desse povo eram os bardos, e quem as inspiravam eram as fadas. As dançarinas do fogo sagrado revelavam toda a magia que dava movimento àquele lugar.
Até hoje é um lugar secreto, um santuário visitado por poucos, guardado hermeticamente pelos druidas da chama violeta. As mulheres do Paraíso correm com os lobos, em noites de lua cheia vão para o alto dos montes uivar seu prazer de viver. Lá não há lamento, há paz dentro de cada um, e uma chama central acesa que ilumina a todos, que os faz apenas cantar, dançar e adorar.
Mariana Montenegro
Do livro Contos da Alma Peregrina
2014
Editora Multifoco/RJ

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