quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Artigo: Os Compromissos Toltecas




Por Mariana Montenegro

      Vivemos uma época de renascimento da sabedoria dos povos originários. Há milhares de anos atrás, na antiga América, ao Sul do México, viveram os toltecas, cientistas e artistas que conservavam a sabedoria antiga dos seus ancestrais. Don Miguel Ruiz, descendente dessa tradição, em seu livro “Os Quatro Compromissos”, nos traz os antigos conhecimentos dos nagual, os mestres toltecas. De forma simples e prática, através de quatro compromissos de caráter e de fé, o livro nos guia na direção da verdadeira liberdade.
Antes de tudo, ele vai falar da “domesticação e do sonho do planeta”, da situação em que se encontra a humanidade. Significa que vivemos um sonho que não é nosso, mas que é um sonho coletivo, que nos leva a agir de uma forma que não é condizente com o nosso ser, falseando nossa própria existência. Não vemos a realidade, mas somente o sonho da mente coletiva, porque nossas mentes estão enevoadas, presas a uma ilusão que não nos permite ver com clareza.  
Essa domesticação e ilusão são mantidas por compromissos baseados no medo e na negação, e precisam ser quebrados se queremos viver uma vida de alegria e realização. Dom Miguel diz que precisamos tomar de volta nosso poder pessoal e fazer novos compromissos, mas estes baseados no amor. Apresentarei aqui novos compromissos, que podem ajudar a nos livrarmos do nevoeiro e a nos abrirmos à criação de um Novo Sonho. Vejamos então, “Os Quatro Compromissos” da filosofia tolteca:

“Seja Impecável com a sua palavra”. A palavra tem poder. Ela é criadora. Nós criamos através da palavra, do som, da intenção. Se queremos criar um novo mundo para nós, antes de tudo, precisamos aprender a fazer o uso correto da palavra. Usá-la com a consciência, para criarmos o mundo de harmonia e de felicidade que desejamos. Não utilizar a palavra contra si mesmo, e nem contra os outros; falar abençoando, falar apaziguando; falar impulsionando. Ser impecável com a palavra significa usá-la sem contrariar a própria natureza, para espalhar amor e criar o Paraíso na Terra.

“Não leve nada para o lado pessoal”. Quando uma pessoa fala ela está expondo a si mesma. Temos a presunção de achar que tudo é sobre nós, mas não é. Precisamos deixar de nos dar tanta importância pessoal, pois cada um vive em seu próprio sonho, em sua própria mente, e é isso que se revela quando a pessoa se expressa, ou mesmo quando acha que está falando dos outros. O que o outro faz não é motivado por mim, mas por ele mesmo, e o que pensa sobre mim não é problema meu, é dele. É simplesmente a forma como vê o mundo, a partir de suas próprias crenças.

“Não tire conclusões”. O drama da vida surge ao levarmos as coisas para o lado pessoal e em seguida tirarmos conclusões precipitadas, sem nem ao menos verificar. Criamos logo um monstro na cabeça, nos transformamos em vítima das circunstâncias, que temos a ilusão de que acontecem exclusivamente em função de nós. Gostamos de tirar conclusões sobre todas as coisas, e depois juramos que elas são reais. Interpretamos mal as situações e por isso sofremos. Isso vem da necessidade de querer controlar tudo e justificar para nos sentir seguros. E quando então não conseguimos fazer isso, presumimos, inventamos na nossa cabeça, e é assim que criamos o sonho do inferno. Por isso, se algo não está claro, não tire conclusões, pergunte!

“Dê sempre o melhor de si”. Esse compromisso é determinante para os outros três. É fundamental no caminho da libertação pessoal fazer sempre o melhor, nem mais nem menos. Isso significa também produzir com alta qualidade num momento, e em outro talvez não tanta. Mas o que importa é fazer o melhor a cada momento. Nem exagerar, não gastar mais energia do que se tem, nem fazer de menos, para não ter arrependimentos ou frustrações depois. Também não basta fazer o suficiente, só para ter uma recompensa, mas fazer o melhor, para ter realização. O compromisso aqui é ser verdadeiro e empenhado, pois como bem diz a poesia de Fernando Pessoa: “Para ser grande, sê inteiro, põe quanto és no mínimo que fazes”.

É possível assim criar um Novo Sonho, como nos falam os toltecas, e viver intensamente a vida. Mas para isso, diz Dom Miguel, devemos deixar para trás o velho compromisso que fizemos com o sofrimento. Deixar para trás tudo o que aprendemos, que foi errado, para fazer novos acordos conosco e com vida. Um acordo de amor e realização, de verdade e plenitude. E escolher finalmente viver em estado de graça, enxergando a vida com os olhos do amor, em contato com a fonte de sabedoria dentro de nós, e quem sabe até sonhar com um mundo bonito e maravilhoso, com o Céu na Terra.

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