Por Mariana Montenegro
Vivemos uma época de renascimento da sabedoria dos povos originários. Há milhares de anos atrás, na antiga América, ao Sul do México, viveram os toltecas, cientistas e artistas que conservavam a sabedoria antiga dos seus ancestrais. Don Miguel Ruiz, descendente dessa tradição, em seu livro “Os Quatro Compromissos”, nos traz os antigos conhecimentos dos nagual, os mestres toltecas. De forma simples e prática, através de quatro compromissos de caráter e de fé, o livro nos guia na direção da verdadeira liberdade.
Antes de tudo, ele vai falar da “domesticação e do sonho do planeta”, da situação
em que se encontra a humanidade. Significa que vivemos um
sonho que não é nosso, mas que é um sonho coletivo, que nos leva a agir de uma forma que não é condizente com o nosso ser, falseando
nossa própria existência. Não vemos a realidade, mas somente o sonho da mente
coletiva, porque nossas mentes estão enevoadas, presas a uma ilusão que não nos
permite ver com clareza.
Essa domesticação e ilusão são mantidas por compromissos baseados no
medo e na negação, e precisam ser quebrados se queremos viver uma vida de
alegria e realização. Dom Miguel diz que precisamos tomar de volta nosso
poder pessoal e fazer novos compromissos, mas estes baseados no amor. Apresentarei aqui novos compromissos, que podem ajudar a nos livrarmos do nevoeiro e a nos abrirmos à criação de um Novo Sonho. Vejamos então, “Os Quatro Compromissos”
da filosofia tolteca:
“Seja Impecável com a sua palavra”.
A palavra tem poder. Ela é criadora. Nós criamos através da palavra, do som, da
intenção. Se queremos criar um novo mundo para nós, antes de tudo, precisamos aprender
a fazer o uso correto da palavra. Usá-la com a consciência, para criarmos o
mundo de harmonia e de felicidade que desejamos. Não utilizar a palavra contra
si mesmo, e nem contra os outros; falar abençoando, falar apaziguando; falar
impulsionando. Ser impecável com a palavra significa usá-la sem contrariar a
própria natureza, para espalhar amor e criar o Paraíso na Terra.
“Não leve nada para o lado
pessoal”. Quando uma pessoa fala ela está expondo a si mesma. Temos a
presunção de achar que tudo é sobre nós, mas não é. Precisamos deixar de nos
dar tanta importância pessoal, pois
cada um vive em seu próprio sonho, em sua própria mente, e é isso que se revela
quando a pessoa se expressa, ou mesmo quando acha que está falando dos outros. O que o
outro faz não é motivado por mim, mas por ele mesmo, e o que pensa sobre mim não
é problema meu, é dele. É simplesmente a forma como vê o mundo, a partir de
suas próprias crenças.
“Não tire conclusões”. O drama da vida surge ao levarmos as coisas para o lado pessoal e em seguida tirarmos
conclusões precipitadas, sem nem ao menos verificar. Criamos logo um monstro na
cabeça, nos transformamos em vítima das circunstâncias, que temos a ilusão de
que acontecem exclusivamente em função de nós. Gostamos de tirar conclusões
sobre todas as coisas, e depois juramos que elas são reais. Interpretamos mal
as situações e por isso sofremos. Isso vem da necessidade de querer controlar
tudo e justificar para nos sentir seguros. E quando então não conseguimos fazer
isso, presumimos, inventamos na nossa cabeça, e é assim que criamos o sonho do
inferno. Por isso, se algo não está claro, não tire conclusões, pergunte!
“Dê sempre o melhor de si”. Esse
compromisso é determinante para os outros três. É fundamental no caminho da
libertação pessoal fazer sempre o melhor, nem mais nem menos. Isso significa
também produzir com alta qualidade num momento, e em outro talvez não tanta. Mas
o que importa é fazer o melhor a cada momento. Nem exagerar, não gastar mais
energia do que se tem, nem fazer de menos, para não ter arrependimentos ou frustrações
depois. Também não basta fazer o suficiente, só para ter uma recompensa, mas
fazer o melhor, para ter realização. O compromisso aqui é ser verdadeiro e
empenhado, pois como bem diz a poesia de Fernando Pessoa: “Para ser grande, sê
inteiro, põe quanto és no mínimo que fazes”.
É possível assim criar um Novo Sonho, como nos falam os toltecas, e viver
intensamente a vida. Mas para isso, diz Dom Miguel, devemos deixar para trás o
velho compromisso que fizemos com o sofrimento. Deixar para trás tudo o que
aprendemos, que foi errado, para fazer novos acordos conosco e com vida. Um
acordo de amor e realização, de verdade e plenitude. E escolher finalmente viver
em estado de graça, enxergando a vida com os olhos do amor, em contato com a
fonte de sabedoria dentro de nós, e quem sabe até sonhar com um mundo bonito e
maravilhoso, com o Céu na Terra.

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