(homenagem a Hildegard von Bingen)
Havia a
história clássica dos dois pássaros pousados na árvore.
Um olhava para
o céu e outro olhava para a terra. Se um atuava, o outro se ocultava. Enquanto
um observava, o outro experimentava os frutos... Eram totalmente opostos em
suas naturezas e disposições. Cada qual no seu mundo, vivendo incomunicáveis e sempre
distantes. Nunca podendo tocar um ao outro. Assim os tempos se repetiam.
Até o dia em
que surgiu um terceiro pássaro.
Que logo notou
a distância dos dois. Então se aproximou deles, colocando-se entre um e outro. Sendo
capaz de se comunicar com o pássaro-observador, ele acolhe suas ideias originárias. Já do pássaro-desfrutador, suas experiências sensíveis.
Conhecendo eles
a fundo, o terceiro vai aos poucos construindo uma ponte entre seus mundos.
De modo que com o passar do tempo, um entoará cantos que o outro será capaz de escutar. O primeiro
pássaro verá os frutos amadurecem em doces frutos de sua
própria essência. Na realidade transitória do segundo choverá água da
fonte eterna.
Eles passam então
a se ver, a se admirar e a viver juntos. Cada qual conservando sua natureza,
mas estando em paz, com outra qualidade e em harmonia – a cantar simultaneamente
suas diferentes notas. Assim foi que os tempos se renovaram.
Quando o
terceiro pássaro abriu suas asas, eram tão grandes que capazes de acolher com seu amor os
céus e a terra.
Mariana Montenegro
março de 2021

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