Certa noite, o
homem que havia domado o touro sonhou com o centauro. Era a primeira vez que esse
animal mitológico aparecia em seus sonhos. Toda a cena, a imagem, as sensações eram
estranhamente vivas e reais. Sentia que anunciavam um novo desafio.
A conquista do
touro foi um processo longo, duro, que exigiu muita perseverança. Já o centauro
exigiria outros métodos que não o adestramento, sendo ele civilizado e
inteligente; metade animal, metade humano.
Só não estava
claro o que o sonho denotava de seu mundo real. Foi então que veio uma
tormenta, que abalou as estruturas de sua pequena cidade. As pessoas saíram às
compras levando toda a comida para estocar nos dias difíceis que se seguiriam.
Não pensavam
em quem viria depois, que encontraria as prateleiras vazias. Teve o instinto
de agir igual, mas lembrou da humanidade vitoriosa do centauro. Que
o fez deter o instinto de sobrevivência, seguir a inteligência do racionamento,
a consciência da solidariedade.
Como o
centauro, fez prevalecer o humano em si. Lembrou-se de que além de instintos de sobrevivência e perpetuação -
é feito de valores, virtudes e de sabedoria. Sabia então, que, como veio, a tormenta
iria embora. E assim foi. Sem que ele perdesse a dignidade da sua condição
humana.
Mariana Montenegro
março de 2021

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