UM DIA uma professora
chegou a um povoado que vivia em guerra. Tinha a notícia de que os professores que passaram por ali não obtiveram sucesso e foram embora. Já não
havia mais mestre que acreditasse na educação daquela gente. Ainda assim, e disposta
ao risco, ela tinha um estratagema.
Até a sua
chegada, os alunos só se interessavam por conhecimentos instrumentais de guerra, como manejar as armas, etc. Não havia código de
ética que os guiasse, a luta podia ser suja, até brutal. Não lutavam conservando qualquer dignidade. Tal era o cenário em que se encontrava Sherazade,
a professora.
Ela sabia que
o plano deles era fazer o que fizeram com os outros antes dela. Porém,
a professora também tinha um plano. Todos os dias, após receberem de seus instrutores o conhecimento técnico que desejavam, ela contava uma história diferente. A cada novo
dia narrava e interrompia deixando a continuação para o dia
seguinte.
Foi se criando
no povoado uma sadia curiosidade própria dos aprendizes. Passaram a querer ouvir
mais e mais, já que ela nunca terminava de contar. E assim, além de ir garantindo
a sua sobrevivência entre eles, a professora foi despertando percepções e visões outras de mundo. Conta-se que alguns chegaram até a se interessar pelas artes cavalheirescas.
Passadas mil e uma noites, o povoado continuava a ouvir, mas com outros ouvidos. As guerras não terminaram, pois era um povo guerreiro. Aconteceu foi que passaram a lutar de maneira diferente. A primar tanto pelas técnicas de combate e pela vitória quanto pela conduta frente às batalhas. E foi assim que a professora venceu o seu bom combate pela educação e pela civilização.
Mariana Montenegro
março de 2021

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