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| (Imagem do filme "A festa de Babette", 1987) |
-“Permitam-me dar
o máximo de mim!”, diz Babette.
Mas numa pandemia não pode dar o máximo de si. Tal é a sua dor num canto de mundo
estacionado. Movimentando-se em limites demarcados. Condoída das asas aparadas, ela conjectura em agonia: Uma bela e segura gaiola é ainda uma gaiola.
Desse jeito sucumbiria,
não fosse sua magna ciência, sua arte. Não suportaria se faltasse vida interior
a si. Mas como dispõe de instrumentos transmuta a dor da vida banal; da vida em
que não se expressa o máximo de si.
Babette tem algo
da eternidade; um valor, uma virtude, um dom, um tom todo seu. Que nada deste
mundo - guerra, pandemia ou qualquer estupidez humana – tem o poder de tirar ou reduzir.
Ela sendo por
inteira, quando usa o que tem de melhor, serve um banquete que faz as pessoas
felizes. Quando de posse de sua liberdade e de sua potência. Mas onde o terreno
não é fértil, onde o terreno foi degradado, como brotar flor, Ó Maga Babette?
A Maga então evoca
o poeta Pessoa: “Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda
brilha”. Apresentando outras receitas de chef para os flagelos humanos. E lembra - para não
esquecer - do toque essencial de SONHAR o banquete.
Mariana Montenegro
fevereiro de 2021

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