sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Diário de jardinagem

 

Colhendo couve de bruxelas-Québec/2012

"Viajar ensina a viver: como fluir, ouvir a intuição, se abrir". Assim escrevi no meu diário de jardinagem de 2012. Quando, nos meses quentes do Canadá, trabalhei com agricultura orgânica e biodinâmica. Foi uma viagem com objetivo de aprendizagem e imersão na cultura ecológica. Relendo o diário, estas são algumas das passagens:

O Sol raiou no interior do Canadá francês. - Bonjour à tous! Abro a janela. Sinto o clima, as energias atuantes. Consulto o calendário lunar. Dia de semear? Dia de colher? Dia de fazer preparos? Dia de quê? Minha intenção, como elemento humano, é a de favorecer a sinergia global do meio.

- Cogumelos à vista! Rápida decomposição das folhas. As novas bem verdes. Frutos desenvolvidos. Bons sinais! Sigo observando. São muitas interações ao redor; entre as plantas, o solo, os micro-organismos. Entre as energias cósmicas e as energias terrestres. No jardim que como um organismo produz em si mesmo sua constante renovação.

Teve o dia de plantar blueberries e árvores do mapple. Seres esses, com uma função bem clara: embelezar e adoçar a vida de outros. - C'est merveilleux! Passando por processos de expansão e recolhimento, da germinação à frutificação, da decomposição à fermentação. Na luz e no escuro, no calor e na umidade.

Assim como viajar ensina a viver, a jardinagem me ensinou sobre o propósito humano na terra. No seu ritmo. O humus. Os polinizadores. Sur la route... 

 

Mariana Montenegro

janeiro de 2021

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