sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Azulzinha

 


Era noite. Sentia-me triste e fui caminhar pelo jardim. Desejando respirar um ar parei em frente a uma planta. Era uma planta qualquer, não identificada. Nesse contato, fui melhorando até me sentir bem e revigorada. Captando alguma emanação dela – e dos seus elementais -, que levaram embora a tristeza que eu carregava. Sem que eu soubesse que planta era aquela, que mistério era aquele.

Noutro dia, clareado, voltei ao jardim para vê-la. Ela estava repleta de belas flores azuis. Fiquei admirada e descobri que todos os dias ela florescia – a Azulzinha, uma flor perene. Desde então, passei a lhe dedicar tempo e cuidados e ela me dedicou sua sabedoria...

de flor que não alcança a morte como destino; ainda que passe pelos ciclos de vida-morte-vida, como tudo, naturalmente, passa. Mas que a sua destinação - para aonde evolui - é o florescimento; pois que Ela É o que Ela É.

Foi assim. No jardim. Que fui acolhida e aprendi com a Azulzinha sobre persistir florescendo. A bela flor que diz, pela voz de seus elementais, doucement e resoluta: - Nada nem ninguém valem a pena de eu deixar de florescer sequer por um dia.

Mariana Montenegro

janeiro 2021

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