Era noite.
Sentia-me triste e fui caminhar pelo jardim. Desejando respirar um ar parei
em frente a uma planta. Era uma planta qualquer, não identificada. Nesse contato, fui melhorando até me sentir bem e revigorada. Captando alguma
emanação dela – e dos seus elementais -, que levaram embora a tristeza que eu
carregava. Sem que eu soubesse que planta era aquela, que mistério era aquele.
Noutro dia, clareado,
voltei ao jardim para vê-la. Ela estava repleta de belas flores azuis. Fiquei admirada e descobri que todos os dias ela florescia – a Azulzinha, uma
flor perene. Desde então, passei a lhe dedicar tempo e cuidados e ela me dedicou sua sabedoria...
de flor que não alcança a morte como destino; ainda que passe pelos ciclos de vida-morte-vida,
como tudo, naturalmente, passa. Mas que a sua destinação - para aonde evolui - é o florescimento; pois que Ela É o que Ela É.
Foi assim. No jardim. Que fui acolhida e aprendi com a Azulzinha sobre persistir florescendo. A bela flor que diz, pela voz de seus elementais, doucement e resoluta: - Nada nem
ninguém valem a pena de eu deixar de florescer sequer por um dia.
Mariana Montenegro
janeiro 2021

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