A moça estava perdida no labirinto do vale. Dava muitas voltas no mesmo lugar
procurando a saída. Mas ficava era cada vez mais desorientada. Seu coração batia forte, e ela oscilava entre a pena de si, e a raiva do mundo. Clamava aos céus para sair daquela situação, por encontrar o caminho de volta.
Mas parecia que apenas a raiva, o medo e a tristeza lhe ouviam, porque só eles a acompanhavam. Pedia calma ao céu, enquanto pisava irascível a terra; ou pedia por coragem, mas se deixando dominar pelo medo. Até que, afoita, tropeçou numa pedra e caiu. Por sorte não se machucou, mas decidiu parar.
Olhando atentamente a sombra que as plantas faziam no chão, teve um estalo. Deu-se conta de que tudo o que vibrava estava no sentido contrário à sua procura. De que não agia em conformidade com o que pedia. E que os seus esconjuros, tão comuns, tinham a si mesma como destino.
(A afamada Lei da Atração operando inequívoca).
Então levantou e caminhou de maneira diferente. Quando, já calma, deixando-se guiar pelo coração, a saída apareceu na encruzilhada com a subida da montanha. Podendo escolher retornar, decidiu seguir na escalada até o alto do vale.
A cada passo vibrando não mais contra, mas em harmonia com seu propósito.
Mariana Montenegro
janeiro de 2021

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