Elas marcaram num bar à beira da praia depois de séculos sem se verem. Beberam, prosearam e cantaram os mitos. Perséfone pede uma bebida forte, enquanto sua mãe, Deméter, algo mais suave. Ártemis chega das caças remando, e Afrodite desponta das espumas do mar. Com Atena e Héstia dançam ao som das ondas e das esferas.
Além de desfrutarem do momentum, as Deusas têm O propósito de recriar o mundo. Juntas sopram um único mito: O Mito da Inteireza. Da coesão de tudo o que existe, sem arestas para a separatividade. Uma demonstração de fé na capacidade humana de síntese e de plenitude. Mas elas nem sempre foram assim. As Deusas também evoluem.
Teve o tempo da fé dirigida a elas, de quererem exclusividade nos seus cultos, de brigarem por poder. Hoje, a soberana Hera não ensina mais a reinar sobre os outros, mas a como ser senhora de si. Assim elas são as mesmas enquanto se fazem outras. E para levarem as boas novas aos corações humanos invocam as Musas.
Calíope, empunhando a trombeta, e Euterpe, com seu lirismo sussurra aos ouvidos dos ouvidos: - A única lei é o amor, e o único pecado, o julgamento. Inspirando também novas perguntas; no lugar de “ser ou não ser”, sugerem: - O quanto eu integro de mundo? E colocando no lugar do “ou”, o sagrado “e”.
Assim as Deusas sopram a integração de todos os seus atributos no interior da alma humana.
Mariana Montenegro
janeiro de 2021





