A Rainha Coroada
de Estrelas, como era chamada, conduzia seu pequeno reino em harmonia. Em suas
terras aldeavam peregrinos e mutantes, que viviam cautos do movimento inerente
à vida. Todo outro era um espelho de si, e toda guerra tornou-se obsoleta, circunscrita
às arenas esportivas e aos dramas teatrais.
Pela conciliação das polaridades dentro de cada ser a paz se deu. A douta ignorância se
estendia a todo o reino, desde a Rainha até o povo; todos eram aprendizes na
terra. Entre os monumentos de seu governo, fulgia o Ateneu da
Consciência; um projeto de investimento no potencial humano de plenitude.
Sempre aberta,
a obra majestosa era o reduto do silêncio e dos arquétipos, de onde emanavam os
símbolos que engendraram os mitos de origem do povo. Mas, para chegar lá, era preciso partir de
dentro de si, do próprio ser interior. Pois a via de acesso não se encontrava na
mente ou em nenhum outro canto do mundo senão no coração.
Quanto aos
atos decisórios da Rainha, seguiam fielmente os três princípios: ético, estético
e noético. E a justiça em cada ato era resultado da sua escuta. Do cultivo do silêncio
interior que a tornava capaz de bem olhar e bem valorar o que fosse necessário.
Assim, ela governava. Junto com seu povo. De composição múltipla e lealdade em
comum às estrelas.
Era com essa
direção e essa consciência que todos viviam em harmonia.
Mariana Montenegro
maio de 2021

Nenhum comentário:
Postar um comentário