segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Dracena e a Festa Elemental

Numa manhã tomava café ao lado da janela olhando as árvores como de costume. Quando escutei um sussurro: “Ela floriu”. Olho e vejo a Dracena florida, o que me encanta e me espanta, pois não houvera pensado conscientemente nessa possibilidade. Nutria apenas esperanças de que ela se recuperasse, pois a tirei de um ambiente nocivo, tratando dela e a colocando em boas condições.

Durante algum tempo, achei que estava estacionada, conseguindo pouco notar de seu crescimento. Até que ela foi se recuperando, e para minha surpresa, um dia, insinuara um florescimento, e, no outro, o pleno desabrochar com um perfume fortíssimo, como jamais senti, talvez apenas próximo da Dama da Noite do quintal de minha avó. O perfume tomava toda a sala e, para surpresa ainda maior, era o convite para a festa dos Devas da natureza.

Com o perfume da Dracena um clima de festa foi se chegando. O cenário era de tempo fresco, chuva fina, passarinho se aninhando sobre a persiana, pequenos insetos polinizadores, bons ventos, clima perfeito para celebrar o pleno desabrochar das flores. Os Devas vinham com roupinhas vermelho e verde, com sua fala ligeira, a dançar e a pedir músicas. Bebiam o néctar da flor, a pura cerveja deles, sentindo-nos todos inebriados com o aroma.

Dracena atraiu a todos. A festa rolou. A alegria tomou conta da casa. Esses construtores e celebrantes oficiais das grandes festas da natureza, por vezes até psicodélicas, gostam de pedir músicas para se alegrarem. Cantei para não os decepcionar: “So let the sunshine in face it with a grin/open up your heart and let the sunshine in”. Fazendo-os rir à beça e dançar. Era um momento especial para todos, de vitória da natureza, de comunhão.

Os Devas nos convidam a criar boas condições através de nossas emanações, para que eles possam captá-las e se aproximarem de nós. Eles contam que os humanos se afastaram deles. Não sentem a natureza como a um ser vivo e sensível. Mas dizem que se nós recuperamos essa consciência podemos desabrochar como as flores. E eles podem se juntar a nós nas nossas obras e nas celebrações de suas realizações. Convivendo juntos nessa atmosfera de alegria e riqueza, sem faltar cerveja e amor.

Mariana Montenegro

Dezembro de 2020

 

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