Numa manhã
tomava café ao lado da janela olhando as árvores como de costume. Quando escutei
um sussurro: “Ela floriu”. Olho e vejo a Dracena florida, o que me encanta e me
espanta, pois não houvera pensado conscientemente nessa possibilidade. Nutria
apenas esperanças de que ela se recuperasse, pois a tirei de um ambiente nocivo,
tratando dela e a colocando em boas condições.
Durante algum
tempo, achei que estava estacionada, conseguindo pouco notar de seu
crescimento. Até que ela foi se recuperando, e para minha surpresa, um
dia, insinuara um florescimento, e, no outro, o pleno desabrochar com um
perfume fortíssimo, como jamais senti, talvez apenas próximo da Dama da Noite
do quintal de minha avó. O perfume tomava toda a sala e, para surpresa ainda
maior, era o convite para a festa dos Devas da natureza.
Com o perfume
da Dracena um clima de festa foi se chegando. O cenário era de tempo fresco, chuva
fina, passarinho se aninhando sobre a persiana, pequenos insetos polinizadores,
bons ventos, clima perfeito para celebrar o pleno desabrochar das flores. Os
Devas vinham com roupinhas vermelho e verde, com sua fala ligeira, a dançar e a
pedir músicas. Bebiam o néctar da flor, a pura cerveja deles, sentindo-nos todos
inebriados com o aroma.
Dracena atraiu
a todos. A festa rolou. A alegria tomou conta da casa. Esses construtores e celebrantes
oficiais das grandes festas da natureza, por vezes até psicodélicas, gostam de
pedir músicas para se alegrarem. Cantei para não os decepcionar: “So let the sunshine in face it with a
grin/open up your heart and let the sunshine in”. Fazendo-os rir à beça e
dançar. Era um momento especial para todos, de vitória da natureza, de comunhão.
Os Devas nos convidam
a criar boas condições através de nossas emanações, para que eles possam
captá-las e se aproximarem de nós. Eles contam que os humanos se
afastaram deles. Não sentem a natureza como a um ser vivo e sensível. Mas dizem
que se nós recuperamos essa consciência podemos desabrochar como as flores. E eles
podem se juntar a nós nas nossas obras e nas celebrações de suas realizações. Convivendo
juntos nessa atmosfera de alegria e riqueza, sem faltar cerveja e amor.
Mariana
Montenegro
Dezembro
de 2020

Nenhum comentário:
Postar um comentário