Um dia, há
muito tempo atrás, uma amiga me convidou para a palestra de um iluminado. Sem o
conhecer, mas interessada, aceitei o convite. Chegando ao lugar do encontro, sentamos formando um semi-círculo em torno dele que, tão logo se apresentou, abriu
às perguntas.
Quando alguém compartilhou: “Eu sinto muita raiva, muita raiva, não sei como superar isso”. E ele logo respondeu: “Tudo bem de você sentir raiva. Sinta". E deu-se ali uma respiração profunda com uma longa expiração. Em seguida, senti um forte estremecimento, que me forçou a partilhar:
- Eu busco desenvolver minha espiritualidade. Eu luto contra os meus defeitos... mas é difícil. Então ouvi:“Pare de lutar. Não tem que lutar”. E olhando dentro dos meus olhos perguntou: “Você vê?". Sua luz era tão forte que iluminou tudo em mim. A luta interna que eu travava cessou. Eu chorei.
Enquanto isso ele mantinha um sorriso amável no rosto. Esse foi meu primeiro satsang (do sânscrito) - “encontro com a verdade”. O primeiro contato na vida com a ideia da aceitação; que é o princípio de tudo, o início da cura. E ele então, resumindo toda a sua mensagem, revelou:
“PARA ME ILUMINAR TIVE QUE ABRAÇAR TUDO O QUE
NEGUEI”.
E assim é.
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p.s. Hoje considero que este termo "iluminado" (como uma distinção) caiu em desuso, pois perdeu a sua mística (seu mistério) e tornou-se algo bastante comum.
Mariana Montenegro
abril de 2021

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