Teve uma
médica que me ajudou a viver a morte da minha mãe.
Ela é bastante
conhecida na área de cuidados paliativos. Aqueles dedicados aos doentes graves
ou incuráveis. Assisti a seus vídeos a procura de ajuda para atravessar o
sofrimento, e de compreensão a respeito do processo da morte.
Recentemente ela
compartilhou algo que achei curioso: disse que, ao contrário do que se pensa
normalmente, não é a primeira impressão a que fica, mas a última. Segundo ela,
é no final da vida que as pessoas expressam a essência do ser humano. Dizendo
mais:
“A
generosidade com que essas pessoas distribuem sabedoria, conhecimento e
gratidão para quem trabalha com Cuidados Paliativos com dedicação é algo que
não dá para descrever”.
E me pergunto:
Por que deixamos para o fim da vida para distribuir o que temos de melhor? Que
diabos de aparências são essas tão importantes que nos impedem?
Mariana Montenegro
abril de 2021

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