Vivia numa montanha-russa,
fazendo curvas demasiado acentuadas.
Na ausência de botes,
afogava-me facilmente em si mesma.
Sem fio de prumo,
Norte,
ou estrela-guia.
Com a energia da alma
o rio flui
e se enche d´água.
De outra parte
vira ralo
e seca.
Folha seca desce a corrente,
como tudo é levada pelo vento.
O desespero anuncia a morte,
vida, seu eufemismo: a calma.
Se acalma!
Tempo carece de ritmo,
barco de leme,
folha de ro rio.
Já fui parede,
de tão dura e impenetrável
luz não me permeava.
Procurei a porta,
saí porosa.
Oh água que cai do céu!
Inunda o rio que corre
nas margens do meu papel.
Aprender
a ser melhor
para o outro.
Desenvolver o caráter
da alma
e sê-lo.
Acho que dizer o mínimo
é bastante!
Que semear estrelas
é ofício de tradução
perpétua.
A palavra metafórica é viva;
apenas alusiva, abre caminhos e visões.
A palavra literal, de trilhas já percorridas,
é morta e esqueceu de renascer.
Na pretensão da verdade,
da objetividade,
minto.
Nos devaneios da metáfora,
inventando,
sou verdadeira.
A palavra precisa encontrar o silêncio inaudito.
Só assim dirá completa um sentido.
O livro da noite
fechado na aurora,
e o livro do dia
mal se lerá.
Soante uma voz genuína
que escuta o murmúrio de fundo
e que se conhece nas formas da luz.
Minha incompletude é minha continuidade com o todo.
Mariana Montenegro
fevereiro de 2022
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