domingo, 13 de junho de 2021

O herói evoluído

 


ERA ANTIGAMENTE. O herói queria mudar o mundo, mas, ele mesmo, continuava igual. Tentava se colocar no patamar dos deuses, e acabava nos grandes erros trágicos – se ferrando solenemente. Usurpando do poder como um voluntarioso guiado pelo seu pretenso livre-arbítrio.

QUANDO FOI MODERNO, o herói já queria outras coisas. Muitas possibilidades se apresentavam a ele, que duvidava tanto, de tudo, a ponto de não acreditar mais em nada, nem em si. Foi um derrotado convicto da sua condição de vítima e da sua impotência perante a realidade.  

FINALMENTE NO AGORA o herói é outro sujeito. Não se coloca acima, nem abaixo, mas justo no meio. Atua como um facilitador dos processos da vida. Já não tão propenso ao arbítrio; mais interessado em agir conectado do que agir descolado. 

O HERÓI agora busca superar a si mesmo. Sabe do seu limite, mas também do seu alcance. E que suas ações podem ser até pequenas, em extensão, mas ter um impacto verdadeiro e profundo. Sua meta de superação é para se tornar melhor para o outro e para o mundo em que vive.

EVOLUIU não à condição dos deuses, mas à condição humana. Talvez, esta sim, a condição almejada pelos próprios deuses.

Mariana Montenegro

junho de 2021

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