ERA
ANTIGAMENTE. O herói queria mudar o mundo, mas, ele mesmo, continuava igual. Tentava
se colocar no patamar dos deuses, e acabava nos grandes erros trágicos –
se ferrando solenemente. Usurpando do poder como um voluntarioso guiado pelo seu pretenso
livre-arbítrio.
QUANDO FOI
MODERNO, o herói já queria outras coisas. Muitas possibilidades se
apresentavam a ele, que duvidava tanto, de tudo, a ponto de não acreditar mais em nada, nem
em si. Foi um derrotado convicto da sua condição de vítima e da sua impotência
perante a realidade.
FINALMENTE NO
AGORA o herói é outro sujeito. Não se coloca acima, nem abaixo,
mas justo no meio. Atua como um facilitador dos processos da vida. Já não tão propenso ao arbítrio; mais interessado em agir conectado
do que agir descolado.
O HERÓI agora busca superar a si mesmo. Sabe do seu limite, mas também do seu alcance. E que suas
ações podem ser até pequenas, em extensão, mas ter um impacto verdadeiro e profundo. Sua meta de superação é para se tornar melhor para o outro e para o mundo em
que vive.
EVOLUIU não à
condição dos deuses, mas à condição humana. Talvez, esta sim, a condição
almejada pelos próprios deuses.
Mariana Montenegro
junho de 2021

