Escuto ao longe
de onde brilha
uma luz indefinível
que vive na distância.
O coração batendo
ritmado e sincopado
entre tempos
de um grande intervalo.
Escuto no silêncio
rumores de uma casa antiga
sempre a se renovar
numa atualidade perceptível.
Mergulhada no espaço
que alarga além dos limites
é concisa a escuta do imprescindível
e do longínquo.
Plena do ar puro das altas montanhas
vejo somente distâncias
e mergulho no escuro
e ouço só murmúrios.
No mais próximo de mim
o espaço sem fim.
Mariana Montenegro
março de 2022