terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Breve digressão sobre os modos da tragédia e da comédia

 

O TRÁGICO, quando enfim reconhece a vulnerabilidade da sua condição humana, desperta a compaixão.
(essa era a intenção das tragédias gregas).
O herói trágico era movido por grande dignidade, virtude ou poder.
O CÔMICO já parte do lugar da vulnerabilidade desde o princípio; com a sua falta de virtudes, impotência e seus defeitos. Mas ao invés de levar à compaixão, ele leva ao riso, à alegria (algo como rir de si mesmo). A transcendência na verdade da condição humana.

Com a compaixão o ser humano supera a brutalidade e a prepotência. Além disso, na tragédia reúnem-se os aspectos mais conflitantes, não à maneira do drama (que é mero bem contra o mal, vítima contra carrasco), mas da complexidade e da coexistência das dualidades no mesmo herói/pessoa humana.
A compaixão, do reconhecimento da vulnerabilidade da sua condição, é uma conquista fundante no processo de humanização.
E necessária, para adiante e além dela, não se fazer da comédia no mero caráter zombeteiro e espertalhão. Mas como a conquista final à tona da profunda alegria que existe na mesma condição humana.
MM

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