sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Elogio do jogo


A arena do bicho homem. 

O caos ao encontro dos canais. 

A arte organizadora da sociedade. 


Intensidades musculares.

Nervos à prova.

Oxigenação.


É brincadeira a sério.

Corpo animado. 

Flow.



Mariana Montenegro

outubro de 2021


quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Unda tellus sidera

 A alma presa, por milênios isolada, no cativeiro da Terra. 

 Igrejas, grupos sectários e clãs. 

Fronteiras cercadas e armadas contra qualquer contato. 

Demonizado o outro, reduzido o eu. 

Violada a liberdade sagrada por amor ao poder. 

Acorrentados os inocentes. 

O brado às supremacias. 

A defesa das crenças limitantes. 

A manipulação.

Os sentidos roubados. 

Numa Terra isolada do universo. 

Desencantadas as almas. 

Crucificado. 

Queimadas nas fogueiras. 

Postos à margem. 

Até o limite. 

A retirada. 

A reviravolta. 

Desperta a consciência. 

Devolvida a liberdade. 

O verso ao uno. 

Pluriverso. 

Então partícipes. 

Reintegrados. 

À porta do cosmos.

O caminho sideral. 

A metamorfose, as asas. 

A nave terra, nave corpo. 

Voando no espaço ilimitado. 

Reingressa. 

O amor universal. 

A luz caminha na terra. 

A Terra reencontra o Céu. 


Mariana Montenegro

outubro de 2021

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

O bohème iluminado


Das alturas do arrebatamento

é tudo poesia

vibrando em cenários e trovas.


Servido da graça

não desperdiça. 

Retém apenas o bem. 


Sujeito livre no eixo. 

Um rosto limpo - só o sorriso salta. 

Diferença lograda; indivizível mutante. 


Sonhando com os pés no chão

aprende a dança.

Aberto o cofre de sândalos da inspiração.


Nas veias, da água ao vinho,

a sua alegria de viver,

assim na terra como no céu.


Mariana Montenegro

outubro de 2021




quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Autonomia do pensamento



 

“Assim era no princípio, metáfora pura suspensa no ar”

 Luiz Tatit

Um raio de pensamento me atinge.

Do tipo bom que acende uma ideia.

Quero dar direção.

 

Miríades de referências na memória. 

Busco me aproximar do objeto.

Gostaria de paramentar com bocados de vanguardismo primitivo.

 

Percorro minifúndios culturais atrás.

Roubo do tempo para a eternidade.

Procuro sujeitos entre os escombros das coisas.

 

Tecidos mortos de crenças

não fazem uma luz que caminha. 

Muito menos que voa.

 

O pensamento inaugura visões e se vai.

Tem um caminho autônomo.

Eu dou passagem.

 

Mariana Montenegro

outubro de 2021

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Vers la Source


Jacline Lussier


 "Viver não é esperar a tempestade passar...É aprender como dançar na chuva".(autor desconhecido)

Ao tocar o livro "Vers la Source", uma sensação de pureza e de bondade me percorreu. Foi meu primeiro contato com a biografia de Jacline Lussier, irmã do Guy Lussier, canadense de Montréal, que eu viria a colaborar com a tradução, junto com a Liz Eliodoraz e com a Manoela Rachel. O livro conta a história de uma missionária, e trago algumas passagens que me tocam, como o seu amor pelo Burundi, na Africa, onde ela esteve por 10 anos. 🕊🌻
"Eu, minha estabilidade,
está em minha fidelidade à mudança".
"Poucas palavras...
os gestos que contavam, que ensinavam".
"A vida se expressa sem restrições,
ela vibra com tudo".
"Não banalizem seus sonhos (...)
Eles são um segundo sopro de Vida".
"Ó Burundi, estás bem apegado a meu coração!
Amei-te e ainda te amo para sempre.
Tua terra vermelha, terra de fogo,
não tem nada igual ao fogo que habita em mim.
Como eu te desejei,
como te reconheci quando pousei meus pés em ti.
Teria gostado de me ajoelhar e beijar essa terra
que me chamava desde tanto tempo.
Que maravilha! Enfim, o meu sonho foi realizado".
"Quando encontrar um cruzamento,
escute no interior de ti, então você saberá,
sem hesitação, com a certeza em seu coração,
qual é a direção para cumprir seu destino".
"Coração aberto, coração acolhedor:
porta do Encontro".
_______________________
Do livro Vers la Source, Chemins de Vie
Jacline Lussier
Editions Magali
2014

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Grã-mestra amada

 


-A alma é coisa singular, dizia o Spinoza. 

Cada alma é diferente da outra. 

Porque o ser é um só. 

Tá no ar. 

Todo mundo respira o mesmo ar. 

Esse ar une todo mundo. 

Esse ar é pura consciência. 

A prova é que se você perde o ar, você perde a consciência. 

Esse ar traz nele também uma energia criadora desde o início dos tempos. 

Essa energia criadora une todas as formas visíveis do universo.

Essa energia criadora, segundo Einstein, é o amor. 

Que chamam de Deus. Põem Deus lá longe, desconhecido. 

Enquanto Deus está na respiração. 

Você respira você sente amor. 

Mesmo o amor por ninguém, o amor em si -.


Camila Amado

atriz e professora de teatro, 

em entrevista à Rede Rio TV


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Singulares

A Camila Amado



 

O enigma da máscara,

um semblante desconhecido.

Como vê-lo se agarrado o rótulo?

Como movê-lo se o signo é fixo?

O ente dramaticamente plano. 

Sem facetas nem afeição pelo instante.

Mas, ousada, outra,

a alma é redondinha como os melhores personagens. 

Compõe formas singulares

com o desconhecido mais fascinante. 

Como caminham sem 1 perfil,

as abundantes feições da vida.


Mariana Montenegro

outubro de 2021