Olho pela janela e me surpreendo vez em sempre com o amarelo que verdejou.
Aspiro o sumo que se quer comido e gozo a liberdade do instante.
A paisagem enlaço do íntimo.
Pequena como eu, incomensurável como outro.
No sobrado, ora canto, ora silencio.
Só a alegria me aproxima do céu.
E a dignidade do reles sobre o chão.
Para transcender e ascender, primeiro aceito e amo.
O lusco-fusco da Ave Maria
insinua a noite que vai descendo à minha janela.
Sereno, fôlego, gestação.
É tudo novo e outro de novo.
Mariana Montenegro
setembro de 2021

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