quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Pequena como eu, incomensurável como outro


Olho pela janela e me surpreendo vez em sempre com o amarelo que verdejou.

Aspiro o sumo que se quer comido e gozo a liberdade do instante.

A paisagem enlaço do íntimo. 

Pequena como eu, incomensurável como outro.


No sobrado, ora canto, ora silencio.

Só a alegria me aproxima do céu.

E a dignidade do reles sobre o chão.

Para transcender e ascender, primeiro aceito e amo.


O lusco-fusco da Ave Maria

insinua a noite que vai descendo à minha janela. 

Sereno, fôlego, gestação.

É tudo novo e outro de novo.


Mariana Montenegro

setembro de 2021







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