terça-feira, 24 de agosto de 2021

O normal adoeceu - fala o palhaço


O normal adoeceu.

Desamparou as vistas grossas.

E agora com que cara ficamos?

De palhaços.

Tudo por fazer num mundo se esgotando. 


A superfície entre o fogo e o gelo. 

Mas será que sentimos na mesma intensidade

o coração quente

e a cabeça fria

para encontrarmos a saída?


Tudo o que nos chega precisa de tratamento.

Toda carga astral e mental.

A má-água que bebemos (tão magoada).

O ambiente que poluímos com más ideias;

incapazes de interligar as coisas.


É evidente a "patologia da normalidade".

(ou só para os videntes do óbvio?) 

E urgente mudar o rumo do abismo.

Gente nova criar,

aprender com os pajés

que o futuro é ancestral. 


O único viável é a transformação.  

Vibrar no mais alto da consciência. 

Quem puder ouvir o palhaço 

e não dançar, 

que se conecte pela vida.


Mariana Montenegro

agosto de 2021

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O culto japonês da tranquilidade

 


"O culto japonês da tranquilidade"

- era o título do livro na cabeceira da cama.
Naquela manhã, acordou já cansada de viver como uma pessoa normal - angustiada. E no que folheou encontrou:
"Maturidade é toda a expansão da tranquilidade".
Respirou fundo aquelas palavras, ela que vivia ofegante feito uma fugitiva. E quis aquilo para si.
No início, apertava os olhos e falava devagar, tentando se parecer com um japonês. Mas entendeu que só pela aparência não chegaria lá.
Então recomeçou pelo seu interior - "o centro vivo".
Para, um dia, almejava, entre sístoles e diástoles, respirar da tranquilidade do amadurecimento.
_______________
Mariana Montenegro
julho de 2021
(referência: Graf von Durckheim)

domingo, 22 de agosto de 2021

Se eu fosse Deus



Se eu fosse Deus 

meu barato seria a evolução.


Ver formas brutas 

moldarem um vaso delicado.

Um organismo unicelular

até tornar um ser humano.


Se eu fosse Deus

me alegraria a vida

da escuridão à luz,

da raiz ao fruto

- amando o processo.


Se eu fosse Deus

eu brincaria de esconde-esconde

com os adultos,

rindo muito deles

me procurando além,

ou me tendo por inexistente.


Eu certamente trocaria confidências 

com os artistas;

temos muito em comum.

Do branco ao arco-íris

eu me pintaria todo.


E voltaria num trovão 

só para dar novo impulso.

Se eu seu fosse Deus.

Sendo um bardo.


Mariana Montenegro

agosto de 2021