O autoconhecimento (autognose) é a aventura humana do reencontro com a essência nas trilhas da existência. Essa senda iniciática parte do momentum do reconhecimento da desconexão e da demolição. Quando um acontecimento marcante, um "guardião do limiar", vem mostrar que precisamos nos transformar, se queremos uma vida de bem-aventurança.
No início da longa jornada, a peregrina se vê desconectada da Fonte da Vida, da energia vital, da harmonia. Pactuada inconscientemente com a ignorância, o medo e o sofrimento. Quando ainda não aprendeu a lição da demolição; a lição do demo - da fragmentação e da divisão.
Mas desconfia que para conhecer a própria luz, precisa antes conhecer a própria sombra. Então mergulha fundo no mundo avernal, vai ter com seus fantasmas e suas sombras. Um arauto aparece dizendo que ela terá que reconstruir seu edifício interior, mas antes, precisa encarar os escombros.
Em seguida, tem uma ideia perigosa e maravilhosa: aventurar-se no desconhecido e na incerteza. Sem caminho fácil, numa vacuidade sem fim, tendo o deserto como lar e companhia. Quando então aprenderá a amar o silêncio e o vazio, e a repousar na impermanência de todas as coisas.
Finalmente, ao encontrar o verdadeiro Mestre dentro de si, passa a fluir pela vida, com espírito assemelhado aos pássaros e às crianças. Conquista o entendimento de que cada pessoa é um caminho, e que nela subjaz a essência que é seu destino. A única lei para ela é o amor, e o único pecado, o julgamento. De repente, tudo fica mais simples.
Revela-se então toda a beleza de um caminho de experiências ricas e variadas, de sabores e regalos, luzes e tons. E de uma existência que pode ser conectada e transparente à essência. Ela se percebe uma porta aberta, passagem e ponte.
Sonha com o paraíso na Terra, com a consciência se espraiando pela humanidade. Ama o TAO, o movimento natural, realiza a coincidência dos opostos. Trabalha para a desconstrução dos velhos edifícios humanos, para a tradução perpétua dos arquétipos, e o desvelar do estado de plenitude.
Uma vez retomada em si, segue obstinadamente no caminho da integração. Trilha sem cessar, aprendendo a levantar-se das quedas cada vez mais rapidamente. Ama a aprendizagem contínua e o caminho. Aprende a rir de si mesma. Consagra-se eterna aprendiz.
Mariana Montenegro
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