domingo, 23 de agosto de 2020

Trilhas do ser

    

    O autoconhecimento (autognose) é a aventura humana do reencontro com a essência nas trilhas da existência. Essa senda iniciática parte do momentum do reconhecimento da desconexão e da demolição. Quando um acontecimento marcante, um "guardião do limiar", vem mostrar que precisamos nos transformar, se queremos uma vida de bem-aventurança. 

    No início da longa jornada, a peregrina se vê desconectada da Fonte da Vida, da energia vital, da harmonia. Pactuada inconscientemente com a ignorância, o medo e o sofrimento. Quando ainda não aprendeu a lição da demolição; a lição do demo - da fragmentação e da divisão. 

   Mas desconfia que para conhecer a própria luz, precisa antes conhecer a própria sombra. Então mergulha fundo no mundo avernal, vai ter com seus fantasmas e suas sombras. Um arauto aparece dizendo que ela terá que reconstruir seu edifício interior, mas antes, precisa encarar os escombros. 

    Em seguida, tem uma ideia perigosa e maravilhosa: aventurar-se no desconhecido e na incerteza. Sem caminho fácil, numa vacuidade sem fim, tendo o deserto como lar e companhia. Quando então aprenderá a amar o silêncio e o vazio, e a repousar na impermanência de todas as coisas. 

    Finalmente, ao encontrar o verdadeiro Mestre dentro de si, passa a fluir pela vida, com espírito assemelhado aos pássaros e às crianças. Conquista o entendimento de que cada pessoa é um caminho, e que nela subjaz a essência que é seu destino. A única lei para ela é o amor, e o único pecado, o julgamento. De repente, tudo fica mais simples. 

    Revela-se então toda a beleza de um caminho de experiências ricas e variadas, de sabores e regalos, luzes e tons. E de uma existência que pode ser conectada e transparente à essência. Ela se percebe uma porta aberta, passagem e ponte. 

    Sonha com o paraíso na Terra, com a consciência se espraiando pela humanidade. Ama o TAO, o movimento natural, realiza a coincidência dos opostos. Trabalha para a desconstrução dos velhos edifícios humanos, para a tradução perpétua dos arquétipos, e o desvelar do estado de plenitude. 

    Uma vez retomada em si, segue obstinadamente no caminho da integração. Trilha sem cessar, aprendendo a levantar-se das quedas cada vez mais rapidamente. Ama a aprendizagem contínua e o caminho. Aprende a rir de si mesma. Consagra-se eterna aprendiz. 

Mariana Montenegro

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Inocência



A desilusão do amor é a maior ilusão, o amor é a única coisa verdadeira.
O amor é eterno, mas só pode ser vivido no agora.
Conectada ao Amor Divino há amor renovado a cada dia.

A natureza do amor é dar, dar sem se esgotar.
Assim há alimento para a alma
E se perdura o estado de bem-aventurança.

Mas se a crítica entra por uma porta, a bem-aventurança sai pela outra.
Se há julgamento, não há amor.
Se há emocionalismo, não há amor.

O amor depende da abertura de espaço ao outro.
É o imã do Cosmos e sua energia criativa.
Dá-se no entre dois, forma o três.

O amor que é chama e irradia luz
É o maior escudo que se pode contar.
O que dissolve o medo é não me sentir separada dos demais.

A maior distância que se tem a percorrer na vida é entre a cabeça e o coração.
No coração está a sabedoria e o guia misterioso
Que se move por harmonia e sincronicidade.

Para ser amor, é preciso abrir mão de tudo o que não é amor.
Ser a imagem e semelhança do Sol.
No plano da realização - o desabrochar da flor. 

Diante da dor, abrir ainda mais o coração para alargar a alma.
O amor é a cura e o elixir.
Doce fruto de uma árvore de raízes celestes. 

Mariana Montenegro
Agosto/2020